Exclusivo: “Eu vi muita gente morrendo, foi minha pior experiência”, diz sobrevivente de ônibus da Rota que caiu no rio

entrevista
No último dia 07 de novembro, um ônibus da empresa Rota, que fazia linha Ilhéus-Porto Seguro, transportando 35 passageiros, caiu no rio Jequitinhonha, no município de Itapebi, (relembre o caso). De forma exclusiva, Hemerson Patrick, um dos poucos sobreviventes do acidente, conversou com nossa reportagem e testemunhou os momentos de tensão e medo que se apoderou dele. Confira o bate papo.

PI: Você pegou o ônibus aonde?

Hemerson: Peguei em Ubaitaba um ônibus para Itabuna, meu destino era chegar a Itamaraju, mas quando cheguei a Itabuna, acabei perdendo o ônibus que ia direto para Itamaraju, então de lá peguei este que ia para Porto Seguro. Eu iria descer em Eunápolis e pegar outro para Itamaraju.

PI: Qual foi a sua reação no momento em que o ônibus foi atingido pela Kombi? Houve muita gritaria antes do ônibus cair no rio? Como você se sentiu?

Hemerson: Muita gente gritando. Eu estava cochilando, quando ouvi a batida na lateral do ônibus eu acordei e o ônibus já estava voando. Muito rápido. O ônibus caiu no rio, encheu de água. Na dava para sairmos e nem respirar direito porque o ônibus era executivo. Tava difícil de sair. Foi horrível. Eu vi muita gente morrendo, foi minha pior experiência.

PI: E você conseguiu escapar como? Os vidros do ônibus não quebraram?

Hemerson: Por uma janela quebrada no lado contrário do Motorista. Fui um dos primeiros a sair. Nesse momento estavam chegando os pescadores que quebraram uns vidros.

PI: Quando os pescadores chegaram você já tinha saído?

Hemerson: Sim, mas muita gente morreu, porque estava muito escuro, e o ônibus estava quase submerso a água. Para se ter uma ideia, tínhamos apenas uns 3 cm ou 4 para respirar.

PI: Você ficou internado quantos dias? E Quais foram as consequências do acidente?

Hemerson: Fiquei internado um dia e meio em Eunápolis. Tive cortes na cabeça, no joelho e arranhões nas costas.

PI: Esses cortes foram profundos, causaram muita dor?

Hemerson: Para lhe ser sincero, a dor eu só sentir depois da cirurgia. Sinto dores de cabeça, no pescoço e nas costas. Mas o pior é não tirar o filme do acidente.

Hemerson é morador da cidade de Camamu, e estava indo realizar a prova do Enem na cidade de Itamaraju, cidade na qual reside sua mãe. (Panorama Ipiaú / Romário Henderson)

Leia também

WhatsAppLinkedInGoogle+Outlook.comGoogle GmailEmailPrint

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *