Zé de Moraes, ao vivo e a cores

Trabalhador, muito trabalhador, e esperto também, embora tenha seus momentos de cochilos. José Gomes Moraes, 60 anos, uma  trajetória cheia de causos, negócios, fogos, artifícios, folclore. Legitima personalidade da nação ipiauense. Firma atestada e reconhecida com o timbre de “Zé de Moraes”. Isso por ser filho do padeiro e ex-vereador Antonio Moraes, marido de dona Yayá que era devota do santo casamenteiro. Zé de Morais é muito mais do que se pensa. Na sua pluralidade profissional  constam as atividades  de padeiro, comerciante, organizador de romarias, locutor, cabo eleitoral,garçom e tantas outras artes que poderiam constar num almanaque. Também é pai de um padre. Nas festas de largo, micaretas, carnavais, sua barraca tinha lugar garantido e era muito frequentada. Dela diziam: “A barraca de Zé de Morais é a primeira que chega e a ultima que sai”. Aturava bêbados, enrolava outros, amanhecia o dia. “Vendia fiado mais cobrava dobrado”, afirmavam  as más línguas.
Arvorando-se na política Zé de Moraes se candidatou a vereador, tendo como concorrente mais próximo o próprio pai. Perdeu a eleição, entretanto ganhou projeção no anedotário local em decorrência dos hilariantes discursos. No Circo Palácio do Riso que tinha um palhaço chamado “Supapo”, chegou a ser locutor, experiência repetida em palanques de políticos das localidades circunvizinhas, nos anúncios de produtos comerciais ou das romarias e excursões para Bom Jesus da Lapa, Milagres, Canavieiras, Itacaré e outras paias. No sagrado ou no profano, sempre encontrava um meio de faturar.
https://www.youtube.com/watch?v=pRByLK3KdI8

No período junino vende fogueiras, fogos de artifícios. Certa vez sua barraca de fogos explodiu causando pânico na população. Escapou ileso. Refeito do susto voltou à luta. Quando a padaria, herdada do pai, estava em declínio, resolveu colocar uma placa que denunciou uma prática. “Agora sob nova direção, com água da Embasa”. Nos fundos do estabelecimento instalou um dormitório, ponto de encontros de casais clandestinos.

Nas tarde quentes do verão ipiauense  “Zé de Moraes” tira os seus cochilos perante o publico. Disso aproveitam os meninos traquinos e lhe aplicam pequenos furtos. Esbraveja, mas acaba se conformando. Um dia disseram que ele tinha morrido. Ao saber disso pegou o microfone e avisou em alto e bom tom: ”Estou vivo, de carne e osso”.  Ao vivo e a cores Zé de Moraes é símbolo no que Ipiaú tem de mais essencial.  José Gomes Moraes faleceu no dia 10 de abril de 2013. (Giro/José Américo Castro)

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